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Poema ao acaso

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domingo, 7 de janeiro de 2018

Sétimo dia

Poema ao acaso Sétimo dia Nuno Júdice Nada mexe. As recordações pastam nos prados da memória. Ao fundo, a janela abre-se para deixar entrar a luz do dia: e só uma névoa branca invade o quarto, salta para o corredor, avança até às escadas que alguém desceu, outrora, sabendo que nenhum patamar o esperava. Encontro um esquecimento cego nos bolsos; Um fogo consumiu o horizonte; um desejo de absurdo percorre as cinzas, com brilhos de chama. Porem, se nada me traz o cheiro de um bosque primaveril, quando o ar esta seco e uma transparência inicial invoca o mistério da manha, dou comigo a desfazer a folha ressequida que caiu do livro há muito fechado: e um pó abstrato junta-se a estes restos que o tempo me trouxe. Tu, imóvel aparição, interpões-te entre os vultos matinais da casa. A tua sombra confunde-se com os contornos de um atlas familiar, conduzindo-me no rumo de um amor antigo – como se essa navegação tivesse portos e ilhas... Chamo-te. Um murmúrio de luz, por instantes, coincide na ilusão de uma resposta.

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